Terroir

Terroir-Campos-de-Cima-da-Serra

A região dos Campos de Cima da Serra possui altitude que varia entre 900 a 1.100 metros. Segundo pesquisas da Embrapa Uva e Vinho, esta altitude, associada a demais fatores naturais, como solos profundos e a abertura de paisagem, exercem um efeito marcante na diferenciação dos vinhos.

De acordo com o pesquisador em Enologia da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Celso Zanus, nesta região, em função das temperaturas diurnas e noturnas serem mais baixas, as videiras tem um ciclo vegetativo mais longo, brotam mais tarde e são colhidas cerca de 30 e 45 dias posteriormente as demais regiões do Rio Grande do Sul e com excelente grau de sanidade, isto é, menor incidência de doenças foliares e podridões do cacho. “Os metabolismos primários (açúcares e ácidos orgânicos) e secundários (pigmentos e precursores aromáticos) dos frutos são mais lentos e diferenciados. Temos observado que as uvas apresentam maior conteúdo de pigmentos, compostos fenólicos e ácidos orgânicos (tartárico e málico)”, diz o pesquisador.

“As temperaturas da região são características do clima vitícola da classe “temperado”, diferente do encontrado em outras regiões produtoras do Rio Grande do Sul, que possuem clima “temperado quente” (Serra Gaúcha e Serra do Sudeste), ou “quente” a “muito quente” (Campanha). Esta diferença, associada ás temperaturas noturnas no período de maturação das uvas, que se enquadram no clima vitícola “de noites frias”, confere a esta região uma condição climática original na produção de uvas e vinhos. Este clima também condiciona a uma colheita mais tardia das uvas”, explica o pesquisador da área de zoneamento vitivinícola da Embrapa Uva e Vinho, Jorge Tonietto.

Nos Campos de Cima da Serra, por exemplo, o solo apresenta características favoráveis ao cultivo da videira, tais como boa estrutura, profundidade efetiva acima de 1,50 m, muito boa drenagem e baixa fertilidade natural.